funk

Top 30 anos não tem playlist que baste

A playlist de um trintão é tão confusa quanto a América Central. Alguns de nós dançaram lambadaê e dançaram lambada lá (lá onde, ê… Beto Barbosa?) e tem aqueles que achavam que melhor era ser criança com o Trem da Alegria. Achavam tanto que vão no show do Luciano até hoje. Pai, afasta de mim esse cálice.

Chico Buarque sim porque os de trinta anos não têm essa de só ouvir a música a partir dos anos 80. Crescemos com o vinil, amadurecemos com o CD e tomamos gosto pelo MP3. Tem quem só use um ou todos, mas trintão bom é aquele que conhece a música que não tem idade pra conhecer. Todo trintencentista que se respeite tem uma lista de shows que só não foi porque não era nascido ou a mãe não deixava. E mãe é mãe. Paca é paca (desculpem, meninas).

Todo cara de trinta anos teve uma fase Legião Urbana. Os piores são os que renegam a fase como tem adulto que parece que nunca foi criança e achava a Madonna gostosa pra caramba porque nessa idade não podia falar palavrão caralho. Você também achava o Michael Jackson o cara mais incrível do mundo, dançou Step by Step em algum Ray Fay ou festa julina da vida e tinha certeza que o Guns ia durar pra sempre. Ou pior, apostou no Nirvana.

O cara de trinta e poucos anos não reclama muito do Jorge Vercilo porque a gente sabe o que é ligar a rádio e ter que escolher entre o É o Tcham, Gerasamba ou Soweto. Tudo bem pra você se a gente ouve Ana Carolina sem parar? Dureza era a Rosana Canibal que comia deusas all night long nas estações. Não é que a gente se contenta com pouco. Sabemos como somos felizes apesar do Michel Teló.

Apesar de tudo, o cara de trinta ainda tem muita esperança. Esperança que o B-52 ou a Cindy Lauper voltem ao Brasil algum dia. E não vale só ir em São Paulo.  Esperança que o Elvis continue na cova, mas que o Freddie Mercury reapareça vivinho da silva. Ou The Smiths. E que o MC Bob Run volte e ensine ao Benny como se faz. Tá escrito.