Eleições 2014

Você devia ver “Footloose”

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Eu adoro filmes dos anos 80. De Curtindo a vida Adoidado a Guerra nas Estrelas, os mais bobinhos – deliciosamente classificados como “Sessão Aventura” – têm sempre um roteiro simples, sem buracos e que conta uma história de forma competente. É uma sensação diferente em ver àqueles filmes que mudam a história do cinema. É pipoca. Uma dessas produções se chama Footloose, que produtores gostam de chamar de “o filme que definiu uma geração” na hora de lançar eventuais versões de diretor para DVD.

Bem menos. A história escrita por Dean Pitchford não tem nada de pretensiosa e quase todo mundo já conhece: Ren McCormick (Kevin Bacon) é um rapaz criado na cidade grande cujos cabelos deixam claro que vive na mesma época que David Bowie e que se muda para uma cidade pequena do interior, onde música, bebida e fliperama não são permitidos. Levando numa boa esse tal de bullying, o rapaz resolve organizar um baile de formatura para mudar a proibição. No meio disso tudo, conquista Ariel Moore (vivida por Lori Singer, que precisa mesmo de um X-tudo nesse filme), que é filha do pastor conservador Shaw Moore (John Lithgow), responsável pelo banimento da dança, da bebida, do fliperama…

Eu gostaria muito que alguns manifestantes que foram às ruas nos últimos dias – e políticos eleitos – dessem uma boa olhada no filme. Uma das coisas mais legais de Footloose é que o único vilão do filme é Chuck (Jim Youngs). O reverendo Shaw é um antagonista, mas está longe de ser realmente um “inimigo do bem”, em um filme tão bidimensional. Mesmo como representante do conservadorismo local, o sujeito consegue entender o “vou longe demais”. Em uma ida à creche local, Shaw vê o resultado do medo: fiéis passam a queimar livros, que consideram ofensivos. O reverendo não participa da fogueira.

“O que vocês vão fazer depois que queimarem todos os livros?” É mais ou menos a pergunta que tenho vontade de fazer para cada reacionário maluco que apareceu no Facebook de dois anos pra cá. O que você vai fazer depois que conseguir impedir todos os casamentos gays que puder, trazer de volta todas as ditaduras que pedir e punir cada um que ande fora da sua linha?

Vai ver mais Footloose, cara. É um filme legal.

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Eu & as eleições

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Sou desses dinossauros que inaugurou a urna eletrônica no Brasil. Mais do que isso: jamais votei com cédula de papel. Desde que comecei a votar aos 16 anos, já tinha que apertar o dramático botão de “confirma”. Nada mal para quem começou a eleger político antes de poder dirigir. Pelo menos, acho que já aprendi a votar, dirigir eu deixo para a próxima vida.

O voto – e deixei para escrever isso depois das eleições deste ano de propósito – é algo tão importante que só deixei de votar uma única vez, em que estava fora do estado da minha região eleitoral. De lá pra cá, acumulo muitos alívios e algumas tristeza. Sou pragmático e entendo que toda campanha a opção é pelo menos pior. Como o Brontossauro que se contenta com pequenas folhas na hora do almoço…

De todos os votos, só guardo feliz o de 2002. A primeira vez que Lula chegou à presidência representa a vitória da minha geração – ao menos a que ia para as ruas protestar contra os oito anos da era FHC – e o fim da nossa inocência. Passamos a deixar de ser jovens, para nos tornarmos adultos. Chegamos ao topo da cadeia evolucionária e descobrimos que esse é só o início de novos problemas.

Em toda eleição, tento recuperar uma porção do jovem que viu tantas passeatas culminarem com a chegada de um partido no poder. Este ano, depois de descartar Dilma no primeiro turno, voltei a votar no PT no epílogo eleitoral. Sem orgulho e com pregador no nariz. Desde 2002, não há felicidade. Só alívio.