Mês: Março 2015

O co-piloto do vôo A320

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Vou falar algo chato. Você não tem que gostar mas acho que tenho certa razão.

Você pode achar egoísmo uma pessoa com depressão se suicidar levando centenas de pessoas juntas. Realmente, parece.

A vida é só nossa. O que fazemos com ela é problema nosso. Mas afetar os outros…

Impossível não sentir empatia pelas vítimas. Pessoas sem nenhuma culpa dos problemas internos de um co-piloto e mortas. Impossível não sentir empatia por suas famílias. Cada pessoa daquele avião era a pessoa mais importante do mundo para alguém. Era o mundo de alguém.

Era.

Apesar disso, não consigo odiar o responsável.

Descartando a hipótese de terrorismo, o que temos é um quadro bizarro de depressão ou loucura. Pode parecer que isso não justifica e não justifica mesmo. Nada vai justificar uma tragédia dessas.

Nada.

Mas no fim, uma pessoa com problemas internos está incapaz de tomar as decisões corretas. Como aterrisar um vôo em segurança.

No seu delírio, ninguém sabe o que a levou a decidir isso. É injustificável. E é tentador dizermos que foi egoísmo, por incluir os seus problemas na vida dos outros.

Mas a loucura ou depressão não conhecem a culpa melhor do que a busca pelo alívio. E, no fim,  a responsabilidade por ela  é sempre maior para quem goza do que chamamos de saúde perfeita.

Tenha medo que seja com você em um avião. Tenha raiva por poder ser com um ente querido seu. Seja humano.

Mas depois, sinta pena. Sinta compaixão.

Porque só Deus sabe o que nos impede de ser o co-piloto.

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Desânimo

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O desânimo é o jeito da vida te dizer: “você não consegue”. O problema é que algumas vezes a vida tem razão e em tantas outras ela é só uma grande babaca.

Ser um sujeito maior do que parece, significa sacar quando você não pode ser babaca e relevar que não dá e quando você não pode ser mané e ouvir aquela babaca. No fim das contas, a diferença entre homens melhores do que outros é essa. Saber diferenciar a babaquice inevitável da que dá pra ignorar.

Tendinitizado

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A esperança de 2015 era começar à toda, escrevendo muito mas não deu. Uma tendinite me fez segurar a produção e ter mais coisa publicada por aqui e em outros lugares. O livro, tão adiado, viria ainda no primeiro semestre. Mas a vida tem esse jeito engraçado de nos ensinar as coisas e uma tendinite me fez segurar muito o andamento das coisas.

Já discuti bastante o assunto, que é minha roda de sísifo particular em minha última carta Clique aqui para assinar). O destino faz dessas com a gente. Amplia quando cansamos, encurta quando nos enchemos de pique e outras coisas imprevisíveis. A única constante é te exigir vontade. E é bom que não falte…

Sob a luz do sol

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Nasce para todos. É o que dizem do brilho lá de cima, como se a luz solar fosse um consolo por tantas desigualdades. Um porto seguro.

Todos temos outros sóis particulares. Um emprego estável, o casamento, a melhor amiga ou a terapia. Em comum, o mesmo conceito. Não importa o que aconteça, estará lá brilhando por mim.

E me pergunto o que pensa cada sol, quando se vê pelos olhos de outros.