Mês: Dezembro 2014

Feliz 2015

Feliz 2015

Há mais ou menos um ano, tomava a decisão de criar este espaço.

Tenho textos, roteiros e outras coisas perdidas por aí embora queira cada vez mais trabalhar com isso (caso queira me pedir uma proposta, basta enviar um email para tiagocordeiroferreira@gmail.com). Faltava uma página para chamar de minha. Algo que centralizasse o que fiz, faço e farei.

Além do site, veio a carta de crônicas que envio quinzenalmente (assine: http://bit.ly/cronicasporemail). Foi muito.

Mas ainda é pouco. Que venha 2015.

Letra Z

Sempre achei que o Z tinha mais jeitão de letra de super-herói do que aquele clichê chamado “S”. Zeta, Capitão Z, Z-Man… É tudo codinome de super-homens que nunca foram criados direito e que formariam a fantástica Liga Z de heróis, que nunca ouvimos falar.

Afinal de contas, só aparecem lá no final da história. Ou do alfabeto.

E quem é que quer saber de super-herói ou de Z hoje em dia, gente? É quase letra morta ou coisa de dinossauro. 99% dos leitores deste texto não gostavam da dita cuja nem quando tinham idade para cantar o abecedário da Xuxa (vamos aprendeeeer…).

Qual a estória que você conta sobre você?

Vou te contar a minha estória

Vou te contar minha história. Ou parte dela.

Eu era aquela criança quieta e que gostava de ler. Tem um número infinito de histórias em que me perdia de casa, do caminho ou de qualquer lugar que estava indo por resolver ter uma leitura ao mesmo tempo que ia andando. A maioria é verdade. Nunca morri atropelado então até segunda ordem, trata-se de um hábito saudável.

Cresci. E troquei gibis e livros pelo celular, mas o fascínio por histórias segue igual desde que me referia à elas como estórias. Se trocar de nome é algo sério, contar uma história pra mim sempre foi a brincadeira mais divertida do mundo para se fazer sozinho, com exceção daquilo. E a cada ano em que passava, a maior diversão sempre foi inventar e fazer novas histórias.

Cada um de nós é responsável pelo seu caminho, esteja olhando pela frente ou lendo um gibi enquanto anda. Todos nós escrevemos nossa própria estória da maneira que entendemos ser a melhor possível. E em cada decisão, a cada capítulo que escrevemos, estamos emaranhando outras histórias ao nosso redor. Como um enredo em que mil aventuras se misturam.

O mais importante não é simplesmente se orgulhar do que você passou. Todos vivemos coisas vergonhosas e admiráveis. O que importa é como você vai usar cada parágrafo que absorveu, aquela lição que aprendeu e o trecho que não saiu da nossa cabeça. E ter sempre a honestidade – ou verossimilhança – para seguir contando a sua própria história. Que é só sua, por isso arrisque tudo o que tiver nela. É tudo o que temos.

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Este é mais um texto da minha carta quinzenal. Você pode assinar por este link: http://bit.ly/cronicasporemail. A próxima sai nesta segunda-feira (15.12). Não deixe de divulgar para os seus amigos.

Ipsílon, Ipsilão e Ipsilone

Letra Y

Ipsílon, Ipsilão, Ípsilo, Hipsilão, Hípsilo, Hípsilon e até ipsilone, meu favorito. O nome da letra Y é um mistério mesmo pra quem sempre usou a primeira opção. “Ipsílon” é o que mais se aproxima da pronúncia grega. Como se fosse uma letra que se prendesse ao passado.

Afinal, mesmo sendo muito antiga o Ipsilão também conhecido como Ípsilo, é uma letra a frente do seu tempo. Deu forma ao capacitor de fluxos em “De Volta Para o Futuro” e é o que ajuda a definir o sexo no homem. Nem mesmo Leonardo da Vinci faria um uso tão diferente para o Y. Ipsilone é muito amor e já deixou claro que não era só mais uma letrinha com jeito de símbolo de super-herói.

O Y é ymortal.

Xis

Letra X

O “X” é uma letra pouco usada no português para palavras em si se você pensar no seu uso gráfico. Desde placas com uma tarja dupla de “proibido” como esta aqui até mesmo substituindo o “versus” em alguns confrontos do UFC ou o boxe da vida. Uma letra mais importante quando não se usa para compor uma palavra.

O Xis também é mistério puro. Fator X, Arquivos X, Gene X de mutante, né Wolverine ? É a letra da medida derretidamente exagerada como em X-Tudo, substituindo o “cheese” do sanduíche, ou de natureza sintética quando simboliza a assinatura de um analfabetizado. Para você ver: o Xis, mesmo sendo pouco usado, deve ser uma das poucas letras que iletrados conhecem.

E com esse caráter de servir pra pouca coisa que uma letra serve e ter utilidade para outras que nem palavra consegue, o Xis ainda tem o espacinho pra ser singelo. Afinal de contas, é uma palavra que traz o poder da felicidade. Em cada foto que dizemos “Xis” para imortalizar o momento. X famílias já fizeram uso disso. E você ?

A Copa é um Rio

A Copa é um Rio

A maioria dos homens aprende desde cedo que homem não chora. Conto poucas as vezes que fugi desse ensinamento tão estúpido. Em uma delas, ia às lágrimas enquanto Maradona sorria vestindo a camisa de Careca em 1990. Meu irmão teve a sua vez na ocasião do empate contra a Suécia quatro anos depois. Suas lágrimas tiveram um final mais feliz.

Crescemos com o futebol e com os Mundiais. A cada uma estamos quatro anos mais maduros, mais avançados profissionalmente e com um milhar de novidades que não cabem em uma mesa redonda. Uma derrota a cada quatro anos é sentida porque cada uma é a primeira. Afinal, depois de quatro anos nunca somos exatamente os mesmos. É uma vida a parte. Fui mais feliz tetra do que penta. Era mais inocente.

É como rio. Nasce e desagua em uma jornada que ninguém viveu o suficiente para contar como foi cada gota. Ou lágrima. E no choro nada é tão comovente quanto as crianças que choram ao invés de rir em uma partida como vimos este ano. É a perda da inocência em sua forma mais universal. Quando entendem como a vida é feita de decepções.

Não me caem mais lágrimas pelos olhos como as crianças que choraram tão copiosamente no 7 x 1 contra a Alemanha. Mas também choro. Sou neto do Maracanazzo e naveguei pelo drama jamais elucidado pelos psicólogos de botequim. Sonhei com o hexa em pleno maraca, palco de minhas maiores alegrias esportivas. Vim, vi e não venci com esse sonho. Apenas pude aplaudir outro país jogar feito Brasil e levar a taça. Foi pouco.

E chorando por dentro, me despedi de quem sou ao fim desse ciclo. Pensando com outras eras que levem esse sonho para a Rússia ou outro cenário. Seja onde for, o importante da vida nesses quatro anos é sorrir. Celebrar o que vivemos e fazer da nossa tristeza, um riso de esperança. Com cada lágrima desaguando em um rio que leve a outro sonho. 2014 já deixa saudades.