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As desculpas dos homofóbicos

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Tenho uma preguiça toda vez que alguém começa o papo sobre igualdade de direitos com as seguintes explicações:

a)  “Não tenho preconceito, mas… ” – Caríssimo, todos temos.

b)  “Tenho amigos gays e transexuais mas…” – E eles devem ter muito orgulho do que vem depois. Sqn.

Nos dois casos é o “mas” que pega. Qual o sentido da sua adversidades com quem só quer ter a mesma liberdade que nós, heterossexuais, temos?

Vou nem zoar a galera que fala da “ditadura gay”. Vai que é doença…

O Bordado de Lívia

imageSua costura era ágil e precisa, como a cirurgia de um médico brilhante. O “bordado de Lívia” era uma lenda no bairro, capaz de reproduzir rostos, animais e obras primas. O retrato da família Montenegro se tornou uma colcha delicada, incapaz de ser usada como cobertor por qualquer pessoa com um mínimo de gosto artístico: era para emoldurar em um museu. O velho porteiro do maior prédio da rua pediu uma imagem do velho cachorro, que reproduzia até os detalhes dos olhos profundos do melhor amigo daquele velho homem.

Ocorre que sendo a costura uma coisa pouco mencionada na França, o valor de sua arte era sempre inferior aos seu salário como secretária. Sem mecenas que admirasse o bordado, a paixão se esvaiu no corre-e-corre do dia à dia e nas obrigações sociais consigo mesma. A procrastinação, em anos, matou seu hábito de todo dia pegar um fio e linha.

Houve o dia que, depois de insistirem muito, Lívia voltou a costurar, com o compromisso público de não ser para mais ninguém. Dessa vez, nada de reproduções absurdamente realistas. Construía bordados simples, como qualquer feira tem. O desinteresse por seu trabalho aumentou na mesma medida em que ela voltou a bordar todos os dias, como se a costura fosse o ato de suar no calor. Bordados simplérrimos, assim como sua própria felicidade.

Foto acima de Aimee Ray

Aqui é o meu lugar

minha casa

As vezes tenho dúvidas se fiz o certo em voltar ao Rio de Janeiro. Em outras, tenho certeza.

Ontem, foi um dia de chuva intenso e, ao sair de casa, estava sem guarda-chuva. Então era eu, um casaco e uma árvore que me protegia muito mal e porcamente da chuva. E assim ia vivendo conformado, aceitando meu destino.

E chega um desconhecido do meu lado e diz algo que não entendo. Peço para repetir e aí a pergunta sai bem clara:

– Quer uma carona? – diz ele, apontando para o guarda-chuva. Aceitei e o cara ficou ali, conversando comigo e me ajudando a fugir do temporal. Por coincidência, acabamos pegando o mesmo ônibus.

A solidariedade carioca deveria ser tombada como patrimônio cultural.

Recomeços

recomeços

A gente tem mania de ver a vida como acréscimos. Mais diplomas, mais cursos, mais anos, mais filhos e por aí vai. O contrário também faz sentido: poderíamos entender o viver como um jeito de ir perdendo as coisas. A cada minuto vivido, menos um minuto para se viver, uma emoção a mais é uma emoção a menos. Cada escolha é uma renúncia.

As fases de nossas vidas nos dão sempre a chance de um novo começo. Podemos tentar fazer diferente: uma nova faculdade, um novo casamento, uma nova casa etc. Mas o tempo é traiçoeiro. A cada novo início, uma chance de final feliz a menos. Na mesma medida que aprendemos com nossos erros vamos descobrindo que eles cobram seu preço para sempre em oportunidades que perdemos e não voltam.

Aproveite as chances que você tenha de recomeçar. E não tenha medo de usá-las. Hoje, é muito mais do que o que você vai ter amanhã.